Bolsonaro contra o INPE e Ricardo Felicio “desmente” aquecimento global

Bolsonaro

O nosso excelentíssimo presidente Bolsonaro não para de fazer afirmações sobre assuntos que não domina. Eu me lembro que quando fazia mestrado e minha dissertação era sobre desmatamento causados por linhão eu fui atrás do método utilizado pelo INPE. Na época achei o documento muito porco mas eu não fui retardado de ir no meu orientador e falar que deveria estar tudo errado. Eu fiz a minha própria classificação e comparei com os resultados do INPE (sim, eu perdi meu tempo de mestrado nisso), a diferença não passou de 2% e baixei a minha bola.

É assim que o nosso Presidente deveria fazer. Você primeiro consegue fatos para tentar refutar algo. Isso aqui é método cientifico, o conhecimento é feito de bloquinhos que são removidos caso errados e adicionados se corretos. Você vem falar da credibilidade de um instituto só na base do achismo? Depois vem mais perola que o resultado deveria passar pelo governo primeiro antes de ser divulgado (ministério da verdade? censura? 1984). O cara é tão ignorante que não sabe que os dados de base para isso são públicos e vários países do mundo monitoram o desmatamento da Amazônia. Você cidadão comum pode ir no site da NASA ou do próprio INPE e baixar os fatos que geraram a informação do desmatamento e tentar desmentir.

Então não adianta nada colocar uma empresa privada pra fazer seu mongoloide! Já tem vários pesquisadores/instituições/países refazendo isso o tempo todo! O INPE não quer fazer você ou o país passar vergonha, ele reporta fatos. Politica é com vocês, ciência é com eles. Deixa assim que fica menos feio.

Aquecimento Global

Eu assino o youtube do panico na jovem pan e me aparece um cara falando que aquecimento global é 100% geopolítica. Mermãoooooooo vai tomar no cu. O cara ainda é anunciado como especialista e professor da USP para passar credibilidade. Apesar de ficar PUTO ouvindo tanta merda saindo e o bancada totalmente despreparada fazendo “ooohh” pra cada coisa falada, eu fui atrás do currículo do especialista da USP. O cara é doutor (isso é mérito mesmo, respeita) pela USP e da aula na USP e quando alguém tem doutorado em uma área geralmente já é suficiente para ser chamado de especialista pro povão. Agora na academia pra ser especilista na área é bom que você tenha publicações relevantes sobre o campo de conhecimento em revistas que a QUALIS CAPES classifica como A1 e A2 ou se você não gosta do QUALIS usa o JCR ou fator de impacto.

O especialista, doutor, professor da USP e só tem 11 artigos publicados, em português e sem impacto algum! Resumo do currículo do cara, não é ninguém na comunidade cientifica. Vamos pontuar para ficar claro:

  • Se o seu artigo não é de interesse somente para o país você já errou escrevendo em português. Compartilhamento de descobertas na ciência é através de artigos escritos em inglês.
  • Pesquisador ativo na área geralmente publica um artigo por ano, escrevendo em português dava pra fazer bem mais.
  • Os artigos não possuem impacto nenhum, não mudam n a d a do consenso cientifico.

Para fiz comparativos, eu encerrei minha carreira acadêmica quando percebi que aquilo não era para mim logo após o mestrado. Mesmo sem ser doutor eu tenho cinco artigos publicados, três deles em Inglês. Como bom pesquisador meu lattes nem consta meu último artigo escrito no SiBBr com a Clara Baringo, mas pelo menos eu tenho algum impacto nesses artigos. Eu tenho uma publicação na Plos ONE com a Lilian Dias que é A1, 2.7 de impacto e um na Remote Sensing Environment A1, 6.4 com a Sumaia Vasconcelos.

Com os números acima eu devo ser um especialista nível caneta de ouro comparado com o Ricardo Felicio. Caneta de ouro é um termo usado para dizer que se um autor muito foda na área escrever um artigo ele já é praticamente aceito para publicação. E digo mais, caneta de ouro em desmatamento e fogo na Amazônia. Respeita. O publico leigo que escuta a Jovem Pan cai na conversa fiada de um “especialista” devido a falta de conhecimento no assunto. O que mais uma vez demonstra que o problema do Brasil é educação.

Mas vamos supor que tudo que eu falei é irrelevante e ele levanta uma duvida sobre o aquecimento global. Como eu disse, o conhecimento é feito de bloquinhos que vão se acumulando. Esse acumulo de bloquinhos acabou de passar de 99% para o aquecimento global. A dois dias atras saiu a noticia que o consenso cientifico passou de 99% e que nos últimos 2000 anos nunca houve uma mudança de temperatura tão rápida e extensiva. O que derruba um dos argumentos o famoso “já foi assim”, não, não foi e o artigo publicado na Nature usa 700 variáveis para mostrar que quando essas mudanças aconteceram não eram em escala global.

Deve ser muito fácil esse concurso da USP e eu aqui morrendo de medo de fazer um concurso de medo da minha ignorância ser exposta.

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